Uma grande sala branca, iluminada somente pelo vão da porta aberta ao fundo, onde se vê a silhueta pequena de uma pessoa bem no limiar da entrada, como que indeciso se entra ou se sai

Solidão

Uma grande sala branca, iluminada somente pelo vão da porta aberta ao fundo, onde se vê a silhueta pequena de uma pessoa bem no limiar da entrada, como que indeciso se entra ou se saiNosso mundo atual está impressionantemente conectado. Hoje em dia dispomos da internet, além de celulares, TV a cabo e tantos outros recursos que nos mantém em contato com outras pessoas constantemente. Se quisermos podemos informar constantemente centenas de pessoas dos nossos passos, e ficarmos sabendo do que outras centenas de pessoas estão fazendo, através das redes sociais.

Mesmo com tantos recursos, ou talvez apesar deles, as pessoas ainda continuam sentindo-se sozinhas.

Poucas coisas são tão desagradáveis para as pessoas em geral quanto a sensação de solidão. É algo muito sofrido, que quase todo mundo já viveu, mas muito difícil de descrever. Apesar de ser uma experiência tão comum, raramente entendemos o que a solidão é realmente e como podemos nos livrar dela.

Quando passamos pela solidão, que é horrível, procuramos nas nossas referências pessoais aquilo que aprendemos com o assunto, e logo concluímos que a solidão é a falta de companhia. Querendo sentir algo mais agradável, logo fazemos uma lista de coisas que deveríamos fazer. Procuramos lugares cheios de gente, onde supostamente todos estão muito animados, se divertindo à beça. Pode até acontecer de encontrarmos pessoas que gostemos muito, muito interessantes e que nos aliviam essa sensação por um bom tempo, mas a sensação de solidão também pode continuar lá, um pouco secreta, mesmo na companhia dos outros, ou voltar com força crescente quando voltamos a ficar sozinhos.

A lógica nos diz então que temos que nos envolver em cada vez mais atividades sociais, já que a solidão fica menor junto aos outros. Fazemos então de tudo para não ficarmos sozinhos, e quando isso é inevitável, muitos criam companhias artificiais, deixando a televisão ligada para fazer ruído, ou gastando numerosas horas na internet.

Eventualmente a solidão também contorna todos esses artifícios, e nos apegamos a ideias populares, como a de que a solidão vai acabar quando encontrarmos um grande amor, ou quando tivermos filhos, mas quantas pessoas não se sentem solitárias mesmo assim?

Ao contrário do que captamos aqui fora, a cura da solidão é exatamente o ato de ficar sozinho.

Porque a solidão não é a falta de companhia, ou de que alguém que nos complete, mas o afastamento do nosso Eu Real, nossa alma.

Todas essas supostas soluções para o sentimento de solidão são coisas que nos dirigem para fora, e o cruel dessas ilusões é que sem querermos alimentamos exatamente aquilo que queremos matar.

Nossa alma é encontrada no exercício de nos interiorizarmos, e para quem não tem prática, como é o nosso caso, isso só pode ser feito quando estamos sozinhos e em silêncio. A quietude é a porta de entrada para esse estado, quando então nos sentamos reservadamente e pausamos o nosso corpo físico das nossas atividades externas, num tempo que seja dedicado somente a nós mesmos.

O próximo passo é impormos a quietude também para nossa mente e nossas emoções, e isso é feito através de um exercício de vontade e perseverança, e da respiração. Nossa mente  e nossa respiração são intrinsecamente ligadas, tanto que quando ficamos em grande agitação mental a nossa respiração também se acelera, mesmo que não estejamos fazendo um esforço físico maior. Quando voluntariamente mantemos a nossa respiração em um ritmo lento e pausado, a mente tem que acompanhar.

Mantendo essa prática diariamente, vamos sair dela sempre nos sentindo melhores, e em pouco tempo vamos ter experiências inéditas, cada um à sua maneira, porque nossa alma vai dar sinais de que estamos nos encontrando com ela, como a própria sensação de bem estar, ou de paz, ou de segurança que vai surgindo. A sensação de solidão vai desaparecendo.

Isso não quer dizer que vamos deixar de encontrar outras pessoas, mas, sim, que vamos parar de procurar nelas aquilo que temos que encontrar dentro de nós mesmos. Ao contrário, vai permitir que a gente realmente aproveite a companhia dos outros, porque não vamos estar tentando vampirizá-los tentando arrancar deles aquilo que eles não podem nos dar, mas sim estaremos degustando tudo aquilo de bom que eles estão oferecendo.

 
Loneliness
Annie Lennox
 
Loneliness
Is a place that I know well
It’s the distance between us
And the space inside ourselves
And emptiness….
Is the chattering in your head
It’s the call of the living
And the race from life to death
Woa and I know
Yes and I know
What you feel…
And I’ve got a longin’
That’s hard to find
Won’t give me no peace of mind
Something that I’ve lived with all along
Days and weeks and months and years
Filling in the time my dear
Tryin’ to find the place where I belong
Hopelessness
is the darkness in your heart
It’s the sound of one hand clapping
While it’s pulling you apart
Woa and I know
Yes and I know
What you feel
And
I’ve got a longin’
That’s hard to find
Won’t give me no peace of mind
Something that I’ve lived with all along
Days and weeks and months and years
Filling in the time my dear
Tryin’ to find the place where I belong
And
I got a hunger that’s
Hard to fill
Driving me on overkill
Tellin’ me that everything’s gone wrong
Got me a need
That I can’t break
More than I can hardly take
Somehow I still keep on going strong
When I call your name
I’m gonna scream out loud
I’ll say…
“here I am standing in the crowd”
You’ll say “come to me”
With your open mind
you never know
What you still might find”
But you keep me here
Like a cancelled flight
An empty train
Running through the night
An orphan child
A broken shoe
and I’m still down here
Looki’ out for you
Are you there for me?
’Cause I’m here for you


Solidão
Annie Lennox
Solidão
É um lugar que eu conheço bem
É a distância entre nós
E o espaço em nosso interior
E o vazio…
É a falação na sua cabeça
É o chamado dos vivos
E competir da vida até a morte
Ah, e eu sei
Sim, eu sei
O que você sente…
E eu tenho uma ânsia
Que é difícil de se encontrar
Que não me dará descanso
Algo com o que tenho vivido desde sempre
Dias e semanas e meses e anos
Preenchendo o tempo, meu caro
Tentando encontrar o lugar ao qual pertenço
Desesperança
É a escuridão no seu coração
É o som de uma mão batendo palmas
Enquanto te despedaça
Ah, e eu sei
Sim, eu sei
O que você sente
E eu tenho uma ânsia
Que é difícil de se encontrar
Que não me dará descanso
Algo com o que tenho vivido desde sempre
Dias e semanas e meses e anos
Preenchendo o tempo, meu caro
Tentando encontrar o lugar ao qual pertenço
E eu tenho uma fome
Que é difícil de saciar
Me conduzindo até as últimas consequências
Me dizendo que tudo deu errado
Tenho uma necessidade
Que eu não consigo quebrar
Maior do que as minhas capacidades
E de algum jeito eu continuo seguindo forte
Quando eu digo seu nome
Eu vou gritar bem alto
Eu direi:
“Aqui estou no meio da multidão”
Você vai me dizer
“Venha até mim
De mente aberta
Você nunca sabe
O que ainda pode encontrar”
Mas você me mantém aqui
Como um vôo cancelado
Um trem vazio
Atravessando a noite
Uma criança órfã
Um sapato quebrado
E eu ainda estou aqui
Procurando por você
Você está aí para mim?
Porque eu estou aqui para você.

2 comentários para “Solidão”

  1. Lili

    Me vi em todas as situações citadas! “Fugindo da solidão” rs.
    Por que é tão dificil ou complicado silenciar a mente e o coração, que ora gritam ora sussurram?
    Não nos permitimos aquietar com medo da solidão bater ou não sabemos nos silenciar?

    Responder
    • Danilo Caparica Carlos

      Não sabemos silenciar a mente. O Coração, de verdade, não precisa ser aquietado, ele está esperando pacientemente para ser ouvido. Tudo que tagarela dentro da gente, sem parar, é a mente ou o ego. Por isso é essencial treinarmos aquietar a mente, porque somente quando ela se cala podemos ouvir/sentir a voz do Coração. E quando isso acontecer, os dias da sensação de solidão estão contados, porque cada vez mais sentiremos a nossa verdadeira companhia, que é a da nossa alma.

      Responder

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