Dois quadrinhos da minissérie citada no texto, em que Hazel conta para a Morte sobre sua tarde especial. Ela diz: " e nós sentamos em um muro, e nos abraçamos, e daí, de algum prédio do outro lado, ouvimos o som de música. E não era música gravada, era o som de alguém tocando bateria. E eu olhei para Foxglove e eu estava tão feliz, eu sabia que eu a amava, e eu sabia que ela me amava. E eu estava tão cheia de alegria que eu pensei que meu coração ia simplesmente explodir!"

Da importância

Dois quadrinhos da minissérie citada no texto, em que Hazel conta para a Morte sobre sua tarde especial. Ela diz: " e nós sentamos em um muro, e nos abraçamos, e daí, de algum prédio do outro lado, ouvimos o som de música. E não era música gravada, era o som de alguém tocando bateria. E eu olhei para Foxglove e eu estava tão feliz, eu sabia que eu a amava, e eu sabia que ela me amava. E eu estava tão cheia de alegria que eu pensei que meu coração ia simplesmente explodir!"Quanto que vale um dia da nossa vida? Ou que seja uma hora?

Por mais abstratas que essas perguntas realmente sejam, elas são ao mesmo tempo muito palpáveis, de fácil entendimento.

Da mesma forma, o conceito de valor, apesar de ser compreensível para todos, é algo extremamente particular. Determinadas coisas podem ter um valor imenso para alguém, e ser uma bobagem para outros.

Neil Gaiman, na minissérie Death: The Time of Your Life, apresenta com suas personagens um exemplo muito interessante sobre essa face subjetiva do valor. Hazel, uma das protagonistas, conta de uma tarde que ela passou junto com sua namorada, dos pequenos detalhes, como tomar sorvete, a cor do céu; de como aquele tempo havia sido significativo para ela. Anos depois, ao tentar comentar sobre essa tarde com sua parceira, percebeu que ela não lembrava nada daquilo; e de repente aquele momento ficou ainda mais importante, porque ela era a única pessoa que podia mantê-lo vivo; aquele momento se tornou ainda mais precioso.

Pensando sobre essa pequena história, já podemos perceber algumas coisas. Que o valor de tudo depende da importância que damos para aquilo, quanto mais importância, mais valioso. E isso se refere tanto a coisas consideradas boas como as consideradas ruins.

E a maneira de nos referirmos à importância já guarda em si uma grande chave. Importância é algo que damos, e, portanto, depende de um ato de vontade nosso. Se não dermos a importância para algo, essa coisa passa a ser irrelevante, ou seja, não nos afeta.

Traduzindo: através do investimento da nossa atenção, da importância que damos, definimos aquilo que vai nos afetar, tanto interiormente quanto exteriormente.

Outra coisa que percebemos também é que quanto mais raro, mais valioso algo se torna. E disso, podemos nos alegrar com o processo de valorização que o Criador nos colocou, pois estamos caminhando cada vez mais para a manifestação da nossa individualidade.

Podemos também perceber rapidamente que a maior parte das coisas que introjetamos quer nos conduzir exatamente ao oposto disso, que é a massificação, seguir determinados padrões.

Todo mundo quer ser valoroso, mas é algo que temos dificuldade em conseguirmos realizar. Talvez tenha a ver com uma outra palavra que é irmã de valor, que é valentia.

É preciso ser valente para ser valoroso, principalmente no mundo de hoje. Alguém valente encara seus desafios, e os resolve, um a um, sem se importar com os possíveis obstáculos. No entanto, isso raramente acontece, porque frequentemente avaliamos a quantidade de coisas que temos que superar, principalmente dentro de nós, que se reflete externamente, e no fim escolhemos mentir para nós mesmos e ficar parados.

Ficamos desanimados, ou seja, sem alma. Não investimos em nós mesmos. Nos desvalorizamos.

Depois nos surpreendemos que as pessoas não nos dão valor, não nos dão importância. Daí produzimos diversos artifícios para tentar conquistar a atenção alheia, frequentemente comprometendo ainda mais a nossa dignidade para conosco, e acabamos colhendo apenas novas decepções.

Chegamos então à falência, e nesse ponto nos cansamos de ser pobres. Percebemos o que deveria ser evidente, que no fundo estamos pobres de espírito, e decidimos ser investidores inteligentes, procurando onde é que a nossa importância retorna melhores dividendos; primeiramente, se é externamente ou internamente. Quando realizarmos que é dentro que as coisas dão melhores resultados, automaticamente passamos a considerar quais são os nossos aspectos internos que devemos bancar e quais devemos deixar morrer à míngua.

Não é coisa corriqueira bancar o nosso interior, porque foge de tudo que estamos habituados. Como é viver sem precisar de nada, já que a porta para o nosso lado divino, que é todo-poderoso, é aberta pelo lado de dentro, e é ele a fonte de todas as nossas providências. Como é dar importância somente para esse nosso divino interno, o que para nossas mentes pode ser paradoxal, mas que não resulta em egoísmo, muito pelo contrário.

O valor de cada hora, cada dia, descobrimos então, foge da nossa definição, apesar de ser algo que sabemos que existe, exatamente porque se encontra naquilo que está acima da nossa mente. Está naquilo que conseguimos manifestar da vontade divina que está dentro de nós.

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