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A razão da felicidade

Conta a lenda que em algum lugar do Oriente três monges vagavam entre as cidades e vilas, trazendo a iluminação para as pessoas. Mas não havia discussões filosóficas, pirotecnias sobrenaturais, revelações estupendas, nada disso. Sua presença se anunciava a uma certa distância, e logo todos sabiam que eles chegavam. Eles chegavam gargalhando, passavam pela cidade gargalhando, iam embora gargalhando. Ao seu redor, ninguém resistia, e acabava gargalhando também, sem mais nem porquê, numa avalanche de alegria que tomava conta de tudo.

No fundo, no fundo, o que sempre queremos é estar bem. Quando estamos bem, idealizamos inevitavelmente uma pessoa feliz. A Declaração da Independência dos Estados Unidos inclusive atesta que a busca da felicidade é um direito inalienável do ser humano.

Engraçado então que seja tão incomum para nós sermos felizes. Conhecemos momentos felizes em nossas vidas, temos rompantes de alegria, mas, conversando com a maioria das pessoas, vemos que elas raramente encontram-se num estado perene de felicidade.

E podemos achar até muito justificável. Poderiam argumentar, inclusive, que um estado constante de felicidade seria a desgraça do mundo. O que as pessoas buscariam, o que as moveria, se fossem sempre felizes? Portanto, seria bom estar sempre infeliz para que pudéssemos buscar a felicidade. Faz sentido? Não, de fato, não.

É nesses pensamentos automáticos que nos alcançam quando refletimos sobre como vivemos que percebemos, realmente, a distorção de valores em que crescemos e que assimilamos.

Quando buscamos a felicidade, perdemos de vista que o bem-estar e a felicidade não são os fins, mas, sim, os meios.

Não somos seres buscadores de algo que deve estar em algum lugar, só não sabemos onde. Não somos seres que têm que pagar dívidas para receber recompensas. Não somos seres que têm que agradar nem mesmo ao Criador, porque o Amor Dele é incondicional.

Somos seres criadores, que estamos desenvolvendo nossas habilidades em exercer um poder incomensurável de Criação; mais além, por sermos parte de Tudo Que É, aprendemos também de que modo nossa Criação corrobora com o desígnio geral da Criação, ou deixa de auxiliar nesse projeto maior.

E para isso, fomos inseridos em uma realidade, que nos sinaliza constantemente, de maneira infalível, para que lado estamos direcionando os nossos poderes criadores, ou seja, favorecendo ou não o projeto maior.

Isso tem a ver com felicidade exatamente porque, como já foi dito, ela é o meio, e não o fim. Quando estamos exercendo o nosso poder criador em consonância com a Criação em geral, nos sentimos felizes. Quando estamos agindo em outra direção, não nos sentimos felizes.

Assim derrubamos também uma outra ideia muito comum no nosso pensamento coletivo, de que existe algum risco de a felicidade ser egoísta. De que, ao sermos felizes, podemos estar tirando algo de alguém, ou que isso pode eventualmente ter alguma consequência negativa (o famigerado pensamento “começa rindo, acaba chorando”, ou “quem muito ri hoje, chora amanhã”). Exatamente o contrário, porque a felicidade é o sinal de que estamos colaborando com a Criação como um todo.

A felicidade também não carece de uma razão de ser, porque o funcionamento do nosso poder criativo age de dentro para fora. Quando somos felizes, criamos mais eventos que reforçam a felicidade em nossas experiências externas, e num ciclo virtuoso somos surpreendidos com sinais maravilhosos que nos trazem mais alegria. 

Para que isso aconteça, a Criação forçosamente afeta o mundo externo, e vemos então que a nossa alegria contagia o nosso ambiente, de maneiras que nossa mente é por demais limitada para poder conceber sozinha. Exercer a felicidade que vem da Alma é o ato menos egoísta e mais sinérgico ao bem comum que podemos fazer.

Essa sensação de felicidade, por transcender a mente, implica em várias coisas: não existe lista de pré-requisitos para a felicidade, e o que faz alguém feliz é pessoal e intransferível. Ninguém consegue fazer ninguém feliz. Se nossas ações não nos trazem felicidade, temos que investigar em nosso íntimo a origem dessa situação, porque nos sentirmos felizes é nossa responsabilidade individual.

E quando estamos em consonância com a Criação de maneiras que a mente não consegue abarcar, ficamos simplesmente felizes sem razão aparente, e nosso desafio então é não procurar cabelo em casca de ovo.

 

 

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