Dois golfinhos brincando em baixo d''''água

O remodulador vibracional – parte 3

Dois golfinhos brincando em baixo d''''''''água“Com quem nóis vai se encontrá meis?” perguntou Fagúia.

“Com Gaia, já te disse”, respondeu Kun Kun.

“Intão mi diz porquê é qui nóis tá moiado faiz mais di hora?”

Um relêmpago iluminou brevemente o Oceano Pacífico, onde o Bacanaboat flutuava galgando as ondas do mar agitado, que arremessava vagalhões para todos os lados, além da chuva torrencial que caía. O Capitão Justiça segurava o o bote fortemente, impedindo que a embarcação virasse, mas ficar enxarcado era inevitável. Kun Kun esperou o trovão ribombar para explicar pela enésima vez.

“Estamos esperando a nossa escolta.”

“É qui eu achei que pra mor di vê a Mãe Terra, nóis ia tá num lugar mais sequim, só is…”

“Eles acabaram de atravessar os limites dimensionais, vão chegar em 48 segundos, junto com o próximo raio”, informou Lua Nova.

Quando a escuridão foi rompida pela luz branca de um raio, os Superbacanas presenciaram uma visão surpreendente. Dezenas de golfinhos usando ornamentos de ouro saltavam ao redor do barco, nadando em círculo e guinchando estridentemente.

“Eles falaram para a gente se segurar!” gritou Kun Kun. A equipe mal teve tempo de se agarrar, que o próximo trovão foi ensurdecedor, e do local onde o último raio tocou o mar uma onda gigantesca varreu as águas em alta velocidade, arremessando o barco para os ares. Quando ele tocou a água novamente, um cone de quilômetros de diâmetro havia se formado, e a embarcação deslizou redamoinho abaixo por milhares de metros. Na ponta do redamoinho, a entrada de uma caverna.

Após quicar em algumas ondas gruta adentro, o bote com nossos amigos caiu sobre um piso de mármore branco, e rodopiou um pouco até parar completamente. Sem tempo a perder, todos desceram, e deram com os golfinhos nadando em pleno ar, apontando o caminho que eles deviam seguir.

Todos desceram por um túnel bem iluminado, que se abriu aos poucos, até chegar no que só podia ser uma outra realidade. Um céu claro, com um sol de início da manhã, cobria um vale imenso, cercado por montanhas cobertas de neve nas bordas do horizonte. Cascatas caíam das montanhas, formando regatos que se embrenhavam por uma floresta de árvores densas, de onde chegavam os sons de numerosos pássaros e outros animais. Os golfinhos voaram mata a dentro, e todos foram atrás.

Ninguém saberia dizer nem quanto correram, nem por quanto tempo, mas enfim um lago foi visto entre as árvores, e uma ponte cristalina, que levava da borda para o centro  do lago, numa ilha arredondada com centenas de mulheres sentadas em círculo.

“Qual delas é Gaia?” perguntou o Ultraninja.

“Todas elas… e nenhuma delas! Gaia é a própria consciência do nosso planeta, que é percebida de diferentes maneiras pelos diferentes povos humanos. Nós a percebemos humana porque somos humanos, mas nossos amigos Delfins as percebem como alguém do povo deles!” respondeu Kun Kun.

Os cinco jovens se postaram respeitosamente perante a presença de Gaia, e logo uma delas os abordou.

“Que prazer encontrá-los aqui! Como posso ajudá-los?”

“Querida Mãe, nós somos os Superbacanas, e é nosso objetivo ajudar todos os que vivem na Terra na sua evolução!” redarguiu o Capitão Justiça. “Nesse intuito, colaboramos com a criação de um aparelho que melhora a vibração dos ambientes, para ser usado pelos seres humanos, mas está tudo dando errado, o Gorgonzóide não só impediu que os aparelhos fossem usados, como está conseguindo piorar a situação geral! Precisamos de ajuda para reverter a situação!”

Uma outra mulher, com jeito de aborígene, respondeu: “Não me surpreende nada… vocês percebem o que está acontecendo de errado?”

“Hmmmm… não…?” disse Kun Kun.

“A vibração baixa que cerca os humanos não acontece por falta de um remodulador vibracional, meus queridos filhos”, disse uma esquimó de meia idade. “Todos os humanos já dispõem de um remodulador intrínseco, no íntimo dos seus corações. Mas eles simplesmente não o usam! O Criador jamais os deixaria desprovidos de uma ferramenta tão importante para cursar sua existência sobre a minha superfície!”

“E a situação é mais grave do que vocês pensam… mas acho que vocês podem ser a resposta do Criador às minhas preces!” respondeu uma terceira, com jeito de Santa Maria.

“Porque?” falou o Fagúia.

“Por muito tempo eu abriguei diversas formas de vida em meu seio, todas elas muito amadas… inclusive os seres humanos”, quem continuou foi uma índia idosa. “Por muito tempo colaborei com o desenvolvimento delas todas, servindo como campo de aprendizagem em suas jornadas evolutivas, e com isso eu também cresci e me desenvolvi. Mas agora me encontro em um momento em que é inadiável que eu me transforme externamente em algo compatível com o que eu sou em essência, após tantos aprendizados! Entendam, eu não estou sozinha, nem desconectada do restante do Universo, muito pelo contrário! E é chegado o momento em que todos nós, consciências planetárias do Sol e de outras estrelas também, temos que dar mais um passo em conjunto, para acompanhar todo o caminhar da nossa galáxia e do restante da Criação”.

“Tenho muita vontade que os humanos acompanhem as demais raças conscientes que habitam em mim!” emendou uma negra alta. “E por isso tenho pedido ao Criador que encontrasse um meio de ajustá-los à minha nova realidade, que já está se formando! E como vocês chegaram aqui, representando a raça humana, meu coração se enche de esperança de que existe um  caminho para que isso se realize!”

“O que devemos fazer, então?” questionou o Capitão Justiça.

“Olha, o remodulador made in Nature que os humanos têm já é  mil vezes mais eficiente que esse do Gartak… se os humanos passassem a usar eles, facinho facinho eles iam acompanhar a minha transformação.” A mulher que disse isso tinha umas tatuagens e um cabelo moicano alaranjado.

“E se não usarem?” perguntou o Ultraninja.

“Então eles provavelmente vão continuar suas evoluções junto a uma outra consciência planetária mais afinizada com seus estados vibracionais…” concluiu uma jovem chinesa vestindo um grande kimono.

A ser concluído na parte 4.

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