Foto do clipe de "Me Revelar" em que a cantora Zélia Duncan aparece com o rosto escondido atrás de uma foto, que está pendurada em um varal, dela mesma quando criança.

Agatha Christie

Foto do clipe de "Me Revelar" em que a cantora Zélia Duncan aparece com o rosto escondido atrás de uma foto, que está pendurada em um varal, dela mesma quando criança.

Personagens ricamente detalhados, alguns acima de qualquer suspeita, outros, nem tanto.

A situação corre para uma solução aparentemente óbvia, ou então é dada como insolúvel, não fosse a chegada do protagonista, uma pessoa excepcionalmente perspicaz e sagaz que entra em cena, juntando detalhes que passaram despercebidos até então,  mas foram tomados como irrelevantes, e por fim o crime é desvendado, e a verdade vem à tona.

Agatha Christie, com essa fórmula, escreveu dezenas de livros, que deleitaram milhões de leitores, ávidos por desvendar o mistério da trama junto, ou quem sabe antes, de Miss Marple ou Hercules Poirot.

Como já foi dito, o que é fascinante desses personagens é a capacidade de captarem coisas sutis, que ninguém presta atenção habitualmente, e apreenderem esses fatos de maneira mais ampla, deduzindo acertadamente os fatos que cercaram o crime. Traços de personalidade, acidentes bobos, e tantos outros sinais, quando propriamente interpretados e entendidos, revelam o que realmente aconteceu naquele determinado caso.

De forma semelhante, contracenamos um imenso mistério. E, da mesma forma que as mãos invisíveis da autora coloca cuidadosamente  cada componente da trama, conduzindo seus personagens até o fim do mistério, a Vida trabalha para que resolvamos o maior mistério de todos: nós mesmos.

Como consciências temos muito pouco conhecimento de todo o nosso próprio conteúdo. Mais ainda, ele nos parece muito complicado. Não bastasse, novos fatos e eventos continuam chegando o momento todo, e tudo aquilo que já parecia confuso se mistura com o que já estava lá. Fora aqueles aspectos que, como os criminosos dos romances, trabalham ativamente para se esconderem e acobertarem seus rastros, procurando criar o crime perfeito.

Como os personagens comuns desses romances, a princípio nos damos por vencidos, de tão imersos que estamos na aparência ilusória dos fatos.

O que ignoramos, a princípio, é que o autor da história toda sabe muito bem que o sucesso de sua história está na resolução de tudo, e não na perpetuação do mistério, e por isso arranja tudo para que esse sucesso se estabeleça. O mistério, desde o começo, está cercado por todos os lados pelos poderes que querem resolvê-lo.

Do lado de fora, uma estrutura que não temos ainda capacidade para sequer conceber espelha com infinito amor e sabedoria, da melhor maneira possível, aquilo que a consciência precisa conhecer dentro dela para caminhar em direção à verdade. Inicialmente de forma sutil, procurando escrever uma história elegante, mas, sendo necessário, também recorrendo aos recursos mais espalhafatosos, até que descubramos a próxima pista.

E, partindo daquilo que é mais interior ainda do que o palco desse mistério, a nossa alma vai ocupando os espaços cedidos com o nosso desenvolvimento, ocupando cada vez mais as nossas consciências, e utilizando todas essas habilidades que estamos desenvolvendo, como um artista que finalmente encontra um piano afinado e com todas as teclas para tocar.

Aquele quebra-cabeça de um milhão de peças, que no início parecia tão complicado, vai ficando cada vez mais óbvio de solucionar, conforme as peças vão se encaixando e todo o caos vai sendo organizado.

O nosso trabalho, como consciências, é perceber as pistas e entendê-las, num treinamento dos nossos veículos de manifestação terrena, e também perceber os impulsos que a alma produz em nós, para que ela nos preencha cada vez mais.

Como consciências podemos facilitar todo esse processo, que é inevitável.

Para isso, podemos trabalhar para sermos os protagonistas dos romances policiais, e não os personagens secundários. Quanto mais desenvolvermos nossa percepção aos sinais que o Universo produz para nos conduzir à verdade, mais eficiente nos tornamos e percorremos caminhos cada vez mais diretos, sendo necessário também crescermos em inteligência, para que entendamos o que esses sinais estão querendo nos mostrar.

O motor de tudo isso é a vontade de percorrer todo o trajeto.

Quando compreendermos verdadeiramente que a nossa parte mais interna e a nossa realidade que entendemos como externa são partes de um mesmo todo, vamos então perceber que tudo o que se passa em nós como consciências colabora para que o Criador possa se revelar.

Me Revelar

Zélia Duncan

Tudo aqui
Quer me revelar
Minha letra, minha roupa, meu paladar

O que eu não digo, o que eu afirmo
Onde eu gosto de ficar

Quando amanheço, quando me esqueço
Quando morro de medo do mar

Tudo aqui
Quer me revelar
Unhas roídas
Ausências, visitas
Cores na sala de estar

O que eu procuro
O que eu rejeito
O que eu nunca vou recusar
Tudo em mim quer me revelar

Tudo em mim quer me revelar
Meu grito, meu beijo
Meu jeito de desejar

O que me preocupa, o que me ajuda
O que eu escolho pra amar

Quando amanheço, quando me esqueço
Quando morro de medo do mar

Tudo aqui
Quer me revelar
Unhas roídas
Ausências, visitas
Cores na sala de estar

O que eu procuro
O que eu rejeito
O que eu nunca vou recusar
Tudo em mim quer me revelar

 

 

Deixar uma resposta

  • (will not be published)

XHTML: Pode usar estas marcas: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>