Uma paisagem de montanhas e florestas cortada por um arco-íris.

O remodulador vibracional – parte 2

Uma paisagem de montanhas e florestas cortada por um arco-íris.“Buah-hah-HAh-HAH-ah!”

Ah-hah, ah-ah, ah-ah, ecoaram as paredes da Gorgocaverna, em resposta ao surto de euforia do Gorgonzóide.

“Desista, Gartak! Não tem mais nada que você pode fazer!”

O pequeno alienígena se debatia, preso pelas mãos e pelos pés em gorgogosma. “Eu vou acabar com seus amigos! Se você quer que o fim deles seja rápido, me dê logo a senha para reprogramar a frequência de suas maquininhas!”, bradou o arquivilão.

“Jamais!” respondeu Gartak.

“Gorgolíngulos mosquitóides! A postos! Quero ver o quanto esse homenzinho vai suportar vocês zunindo nas orelhas dele! E não se esqueçam de pousar bem no meio do nariz!”

Gartak apertou seus três olhinhos e recolheu suas antenas luminosas, enquanto o enxame rodeava a sua cabeça.

“Buah-hah-HAH-haH-ah! Ninguém aguenta isso por muito tempo. QUAL É A SENHA??”

***

Enquanto isso, em alguma floresta do planeta, apenas um observador atento notaria que cuidadosamente alguns passarinhos pulavam de galho em galho, vigiando o caminho e garantindo que a barra estava limpa para K’un K’un passar. Quando ela chegou em um determinado local, tocou o solo, e conversando com a Natureza se certificou que estava nas coordenadas corretas. Daí ela tirou da mochila um dos poucos remoduladores vibracionais que ainda funcionava direito no planeta, e ativou o aparelhinho. Ela sentou-se sobre os calcanhares, e ficou aproveitando os momentos de relaxamento enquanto esperava seus amigos chegarem.

Uma formiga subiu pela sua perna, e com suas antenas avisou que tinha alguém chegando. Pela descrição, ela soube que era o Ultra-Ninja, mas mesmo assim fez uma cara de surpresa quando ele pulou de cima de uma árvore e aterrisou sem fazer qualquer barulho ao seu lado. Ele fazia muita questão de chegar despercebido em qualquer lugar, e ela não queria tirar esse gostinho dele.

“Como foi sua missão?” a garota perguntou.

“Não tive sucesso”, sussurrou o silencioso ninja, “a rede de desinformação do Gorgonzóide está muito infiltrada em muitos meios de comunicação, e não descobri como fazer para bloquear o fluxo de meias verdades que ele tem disseminado sobre o remodulador em todo o planeta! Estão dizendo por aí desde que ele pode causar câncer, até que cura celulite! Eu sou o mestre da espionagem, mas nem toda a minha liga de Ninjas Brancos conseguiu conter todas as distorções que foram espalhadas por aí.”

Assim que ele terminou de falar, Lua Nova chegou no ponto de encontro exatamente no melhor momento possível. Há centenas de quilômetros ela havia despistado o último gorgolíngulo, escolhendo os movimentos exatos e os caminhos mais eficientes com sua über-precognição. Seu semblante, que sempre estava sombreado por um enorme capuz, naquele momento também estava sombrio. “Também não consegui fazer muito, do lado astral do nosso planeta… existe uma multidão de gorgolíngulos vermóides aproveitando qualquer vibração inferior de qualquer pessoa que encontrem para se ligarem a elas, e daí ficam estimulando as pessoas a fazerem coisas que levam à mesmice e à estagnação…”

Um borrão azul e branco cruzou o céu e com uma manobra radical evadiu-se no último segundo de um paredão de pedra. Os gorgolíngulos que o perseguiam não tiveram tanta sorte, e se espatifaram todos na rocha. O borrão pousou então no ponto de encontro, e o Capitão Justiça veio dar suas notícias:

“As fábricas do remodulador foram todas sabotadas… sobraram somente aquelas que estão produzindo os aparelhos falsos, que obviamente não fazem aquilo que se propuseram… iniciamos uma campanha de esclarecimento,  para incentivar o uso dos aparelhos que sobraram, mas as pessoas ainda estão com muito medo e não sabem no que acreditar. Os poucos aparelhos que ainda funcionam estão sendo devolvidos, mas muitas vezes esses carregamentos são desviados por meios escusos e destruídos. Qualquer oposição tem sido fortemente combatida pelo Gorgonzóide.”

“Eu também não consegui fazer muito… a Natureza sempre esteve aí disponível para ajudar as pessoas a remodularem suas vibrações, e mesmo assim tem sido tão pouco usada… como fazer para ajudar as pessoas a melhorarem as vibrações dos seus lares urbanos?”

“ÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓóóóóóóóóiiiiiaaaaaaaaaa a FREEEEEEENNTEEEEE!!!!” gritou o Fagúia, com um rastro de milhões de gorgolíngulos atrás de si. Ele parou bem no meio da área do remodulador, e o enxame passou ao redor deles, em uma enxurrada de pontinhos pretos, que ficou circundando a área onde o mestre do eletromagnetismo tinha sido visto pela última vez.

“O que você estava fazendo?” perguntou o Capitão Justiça.

“Botando pra quebrar, ara! Mas num dei conta não.”

“E agora?” falou Lua Nova.

“Melhor a gente usar uma outra tática,” respondeu  K’un K’un. Sob seu comando, as plantas ao redor deles começaram a florir, e os passarinhos começaram a cantar. Uma leve chuva fez levantar o cheirinho de terra molhada, e um arco-íris logo decorou o céu. Bastou seus amigos super-heróis começarem a curtir o acontecimento, que uma onda de energias do bem começou a se irradiar, cancelando a negatividade dos gorgolíngulos mais próximos, que caíram imediatamente no chão como reles insetos, se reintegrando ao ciclo da vida. Os outros capangas tremeram de medo e deram no pé, já que não conseguiam encontrar a fonte de tudo aquilo e nada podiam fazer.

“O que aconteceu, Fagúia?” ciciou o Ultra-Ninja.

“Eu tava protegendo us nosso auxiliante extra-terrestre, como nóis tinha acertado, só qui os cara chegaram arrebentando tudo, i não dei conta não! Pior, eles levaram o Gartaque!”

O silêncio dominou o ambiente, interrompido somente pelos ruídos da floresta.

“Já sei o que fazer”, disse K’un K’un. “É hora de apelar para a chefia.”

 

Continua na parte 3

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