Gerente de cena em sua cabine, com o palco ao fundo, monitorando o desenrolar da peça de teatro.

Gerenciamento de cenas

Gerente de cena em sua cabine, com o palco ao fundo, monitorando o desenrolar da peça de teatro.Nossos sentidos nos pregam muitas peças.

Quem, por exemplo, não passou o maior tempão procurando as chaves pela casa toda, revirando estantes, gavetas e armários, chamando as pessoas da família, os vizinhos e o papagaio, para descobrir que, no final, elas estavam o tempo todo no próprio bolso?

Um estímulo sensorial, quando muito presente, é considerado irrelevante pelo nosso sistema nervoso, que o ignora da nossa percepção consciente.

Isso faz parte do funcionamento normal e perfeito dos nossos corpos, no trabalho deles de apresentar somente aquilo que precisamos lidar momento a momento.

Nós somos como os gerentes de uma empresa, e os nossos sentidos, nossos empregados. Quando tudo está adequado tudo funciona muito bem. Mas todo mundo que lida com pessoas sabe que nunca podemos nos acomodar em uma determinada situação, que de tempos em tempos temos que ativamente rondar os diversos setores da empresa, para conferir o funcionamento da estrutura de ação que formamos.

Somente com essas fiscalizações é que descobrimos os relatórios deixados de lado por alguns, as incompetências em certos setores, as faltas de ajustes a situações novas do mercado, os prejuízos escondidos etc etc.

O negócio só cresce sob os olhos do dono, segundo o ditado popular.

Nós consideramos aquilo que percebemos como real, e não temos como escapar disso. Até dizemos que certas coisas temos que ver para crer, ou seja, a existência de qualquer coisa é determinada pela sua capacidade de impressionar os nossos sentidos.

O que não pdemos ignorar, por outro lado, é que muitas coisas temos que primeiro crer, para somente então sermos capazes de ver. Elas até podem estar ali, mas estão relegados à inconsciência, pelo funcionamento normal das nossas percepções, que não as consideram importantes, já que não cremos nelas, como nos mostra o exemplo das chaves.

Nossos sentidos são ferramentas valiosíssimas, mas são uma interface. Representam uma fronteira na nossa experiência de ter um EU e algo que não seja EU.

Sem essa delimitação, não conseguiríamos viver esse tipo de experiência, que é a nossa curtição, nossa brincadeira no momento. Sem eles, seria como ir ao teatro numa sala sem cadeiras, sem palco e sem atores. Nada divertido, com certeza.

Quando vamos assistir a uma peça, ou um filme, nos imergimos naquela história, e chegamos a nos emocionar e até a ter expectativas quanto aos personagens da trama. Depois, ao comentar o que foi assistido com outras pessoas, vamos perceber que cada um valoriza mais determinados pontos da trama, apesar de todos terem assistido à exata mesma coisa. Mais ainda, se fomos discutir a peça com alguém que trabalha na área, notaremos que essa pessoa muitas vezes valorizou coisas que sequer consideraríamos, como a maneira que determinado ator representou determinada cena, como ele deve ter construído aquelas ações e entonações de voz para conduzir o espectador em uma determinada direção, ou a maneira que as luzes do palco foram dispostas, coisas que jamais passariam pela cabeça de um leigo.

Por isso que é tão importante a expansão de consciência. No estado comum de consciência, nos restringimos àquilo que é apresentado pelos nossos sentidos físicos, como o gerente preguiçoso que jamais deixa a sua escrivaninha. Mas, se crescermos em consciência, vamos dominar todos os nossos aspectos internos, que antes não funcionavam bem devido à nossa negligência, como um executivo de sucesso, que delega funções, mas está sempre atento ao que está acontecendo no seu domínio.

E no campo do externo, vamos perceber que estávamos perdendo boa parte do espetáculo, devido à nossa antiga visão de túnel, e depois nos deleitar ainda mais com o espetáculo, ao perceber também aquilo que está implícito na realização daquela obra, como o expert em teatro, que não só aproveita a beleza da apresentação à sua frente mas também a beleza do trabalho que construiu aquele evento.

Eventualmente, quanto maior o nosso escopo de consciência, chegaremos cada vez mais à vivência de que não existe diferença entre o interno e o externo, e que a consciência é apenas um delimitador que nos indica onde devemos agir, e onde devemos receber o resultado da ação. A ação é interna, criando resultados imediatos na parte externa, porque ambos são parte da mesma coisa.

Esse é o aspecto prático da famosa frase, “Somos Todos Um”.

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