Uma taça de framboesas sendo recoberta com chantilly saindo de uma bisnaga de confeiteiro.

C’Alma

Uma taça de framboesas sendo recoberta com chantilly saindo de uma bisnaga de confeiteiro.Somos partículas divinas, permanentemente em trabalho de Criação do Universo. O Fiat Lux ocorre constantemente, no nosso tempo presente, se desdobrando em cada criatura.

Esse poder criador é imenso, e inicialmente amorfo, e passa através de nós para ganhar formas; numa comparação crua, seria como aquelas bisnagas de chantilly, que moldam o doce numa determinada forma, ou a máquina de fazer sorvete do McDonald’s.

A forma que molda essa sobremesa é constituída, no nosso caso, pelas nossas crenças e idéias.

Nosso trabalho, aqui, é o de possibilitar que novos pontos de vista sejam considerados em relação a essas ideias, ampliar os horizontes das nossas consciências, para que cada vez mais possamos usar esse poder Criador na manifestação daquilo que nos traz o Bem.

E uma das formas mais estreitas e distorcidas que possuímos contorna o aspecto da sexualidade humana.

É muito impressionante a quantidade de normas e regras e estigmas, e tantos outros fatores de interferência externos que existem sobre algo que deveria ser tão íntimo. Milhares de coisas que tentam determinar o que é certo, e o que é errado.

Por mais que sejamos muito modernos, e que, obviamente, muitos avanços já tenham ocorrido nessa área, é importante que trabalhemos individualmente na reflexão de nossas idéias sobre sexo, porque o terreno das crenças não é tão facilmente alterável quanto gostaríamos. Nosso subconsciente é totalmente capaz de albergar em si as crenças mais contraditórias, e por mais que por um lado rumemos para a quebra dos nossos conceitos limitantes, outras partes nossas podem estar tão empacadas quanto um burro velho. Somos seres muito mais complexos do que é publicado geralmente.

Que a relação sexual deva ser um momento prazeroso é uma ideia com a qual cruzamos a torto e a direito, e que é em geral muito bem aceita e apoiada pela maioria das pessoas. No entanto, na nossa bagagem de crenças inconscientes, trazemos milhares de anos de pregação bradando o contrário, inculcando uma ideia de pecado original, de algo sujo ou proibido, e que pode ser encontrado até nas periguetes mais convictas, afinal uma das formas mais comuns de compensação de algo que nos atormenta é exagerar o seu oposto.

Do que se trata o relacionamento íntimo, afinal?

Estamos todos matriculados em um curso de auto-conhecimento, e servimos como professores assistentes uns dos outros, principalmente quando as nossas professoras-sênior, nossas almas, ainda não são ouvidas devidamente por nós. Ensinamos uns aos outros refletindo entre nós aquilo que ainda não conseguimos perceber sozinhos, e isso não vale apenas para os nossos lados involutivos, mas também naquilo que temos de bom. O relacionamento íntimo tem essa graça – tanto no sentido de diversão quanto dádiva divina – e nos revela mais profundamente.

Além d0 aspecto de conhecer-se intimamente através do outro, a formação de um vínculo profundo entre duas pessoas é extremamente benéfico, porque tudo o que se soma na Criação é sinérgico, ou seja, resulta em algo maior que a soma aritmética das partes. Perante a Existência, essa união é a exaltação da própria natureza do Criador, que consegue se expressar mais amplamente, e a relação sexual uma forma magnífica de concretizar materialmente essa união.

Por fim, temos que admitir também que muito pouco entendemos ou controlamos no que se refere ao lado real do nosso Ser. Tudo o que fazemos aqui tem motivos mais amplos, e que as nossas regras morais não conseguem abarcar. Existem gurus que encontraram seus mestres por apenas algumas horas, uma única vez na vida, e que a partir desse encontro desenvolveram um trabalho enorme de iluminação da humanidade, enquanto outros conviveram diariamente com seus mestres anos a fio antes de poderem pisar fora de seus ashrams.  Igualmente, o relacionamento amoroso entre duas pessoas pode acontecer das mais diversas formas, buscando aquilo que é o melhor e o mais elevado. Não existe regra que contemple a todos, e alma nenhuma vai se furtar de experimentar o que tem vontade para se moldar a um conjunto de regras. Como se diz, a Alma é Imoral. Busquemos, sim, nos livrar de conceitos pré-estabelecidos do que é um relacionamento bem-sucedido, e nos dediquemos mais em permitir a manifestação de um relacionamento onde suceda o Bem.

Alma Nova

Zeca Baleiro

Sempre que te vejo assim
linda nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí
e eu digo
calma alma minha
calminha
ainda não é hora de partir

então ficamos
minha alma e eu
olhando o corpo teu
sem entender
como é que a alma entra nessa história
afinal o amor é tão carnal
eu bem que tento
tento entender
mas a minha alma não quer nem saber
só quer entrar em você
como tantas vezes já me viu fazer
e eu digo
calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender

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