Foto da apresentadora Hebe Camargo dando uma gargalhada

Nasce uma estrela

Foto da apresentadora Hebe Camargo dando uma gargalhadaE hoje morreu a Hebe.

Por todos os lados, todos os meios de comunicação, por toda a mídia, vamos ver pessoas chorando e lamentando a passagem da atriz, cantora e apresentadora.

Todos expressando tristeza, mas porque não expressar alegria?

Quando sentimos tristeza, sem nos deixar dominar por ela, percebemos que ela tem uma função importante, realçando a importância que aquela coisa que a gerou tinha na nossa vida. Mas é como aquele aviso de falta de óleo no painel do carro. Ninguém fica fixado no alerta, e sim se move para encher o reservatório de óleo do carro, afinal o carro tem que continuar funcionando e nos levando de um lado para o outro.

Assim, a tristeza que pode surgir com a morte da Hebe nos aponta aquilo que ela tinha de especial.

Como não admirar alguém que soube se comunicar com tantas pessoas, atravessando uma época tão cheia de transformações como a nossa? Do tempo em que o rádio era o único meio de comunicação em massa, se adaptando e tendo sucesso até os tempos de hoje, através da televisão, e sempre conseguindo transmitir para o seu público um sentimento de alegria e de alto astral.

Admiramos essa mulher porque ela conseguiu trilhar o caminho da realização da sua alma. E trilhou, superando suas dificuldades, dificuldades essas que não conhecemos em grande parte, nem temos como conhecer, servindo como um canal para que a sua luz interna transparecesse e atingisse tantas e tantas pessoas. Praticamente morreu no palco, como é o sonho de tantos artistas, e realizando a transmissão da sua luz, sem dramas.

É isso que admiramos nela, meio sem saber, e é isso que ela nos aponta. Porque, se ela conseguiu, porque não a gente? Tudo aquilo que a Vida proporcionou a ela, ela proporciona à gente.

A diferença é que ela soube utilizar o que a vida lhe trouxe, quer na dor ou no prazer, nas oportunidades maravilhosas ou nos tombos.

A morte, nesse caso, é um motivo de celebração. É o arremate final, aquilo que fixa uma obra e uma trajetória de vida. A certeza que tudo foi um sucesso.

Podemos comparar isso com tantas histórias que vemos em livros ou filmes em que a espinha dorsal da trama é cumprir uma determinada missão, como, por exemplo, levar um objeto valioso de um lugar para o outro. Entre o início da história e o seu fim, os protagonistas atravessam toda sorte de desafios, mas quando finalmente chegam e completam sua tarefa, nós, espectadores ou leitores, ficamos felizes e aliviados, assim como as personagens. Passou a chance de que algo desse errado, que o tal objeto valioso caísse em mãos erradas. Missão cumprida.

E é isso que aconteceu. A Hebe morreu, e não temos qualquer motivo para ficarmos tristes, porque ela, pelo menos no que nos chega publicamente, conseguiu cumprir seus objetivos. E provavelmente conseguiu manifestar as vontades de sua alma, até o finalzinho de sua vida, porque alguém que se viveu tantas experiências fantásticas, partindo do interior do Brasil, com a coragem de ser atriz e cantora em uma época muito mais cheia de preconceitos que a de hoje, dominando os meios de comunicação por 68 anos, provavelmente tem uma força divina interna muito presente para moldar o mundo aos seus desígnios, e não se dobrar ao mundo.

A morte é a coisa mais natural do mundo, e não é a morte que deveríamos chorar. Uma vida completa e plena simplesmente aceita a morte pelo seu valor real, uma grande transformação, o encerramento de uma fase maravilhosa para começar uma nova fase maravilhosa.

Quando alguém especial morre, nos entrega tão cheio de luz quanto ela, uma última mensagem, que devemos abraçar e encarar na observação da nossa vida. Estamos fazendo a nossa vida tão especial quanto a dela? Nos permitimos receber tudo o que a vida tem para dar? Confiamos naquela presença que impulsionou aquela vida admirável, e que também temos dentro de nós, permitindo que ela manifeste o Criador nas nossas vidas?

Tenhamos sempre a certeza de que tudo de divino que essa pessoa teve, não era privilégio dela, mas algo que é comum a todos nós. A única diferença foi que ela soube como usá-la, e nós podemos fazer o mesmo.

Quando a morte chega, o importante não é ela ter chegado, mas como a vida foi vivida.

Um comentário para “Nasce uma estrela”

  1. Fabiana

    Penso que as pessoas, ao deixarem esse planeta, ganham condições para ajudarem aqueles de quem elas gostam e que ainda moram aqui, porque agora elas podem ver as coisas por um outro prisma. Eu nunca estudei isso mas eu sinto que é assim, por às vezes receber ajuda. Como é maravilhoso acompanhar os acontecimentos à luz do que se ensina nesse blog! Parabéns!

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