Ao fundo, parte da face de uma mulher, cuja mão está em primeiro plano, segurando entre os dedos um diamante bruto

De propósito

Ao fundo, parte da face de uma mulher, cuja mão está em primeiro plano, segurando entre os dedos um diamante brutoMuitas vezes nos perguntamos porque é que determinadas coisas acontecem em nossas vidas. Muitas das coisas que vivemos não parecem fazer o menor sentido, e boa parte delas não nos são agradáveis. Quando estamos gostando de uma certa situação, de repente tudo acaba e ficamos com o sentimento de falta.

Algumas pessoas interrompem esse fluxo, racionalizando que é uma pergunta imbecil, afinal acreditam que não tem ninguém escutando, restringem-se ao mundo reduzido dos sentidos físicos. Mas deve ter muito poucas pessoas no mundo que nunca se fizeram essa pergunta, porquê. E o resultado óbvio dessa pergunta é que deve existir alguém a ser questionado, e que deve existir também uma razão. Esses dois pontos são tão verdadeiros que se mostram até mesmo em quem é cético em relação ao espírito, nem que seja num momento em que o racional abaixa a guarda.

Realmente, nada acontece por acaso. Não é uma relação de causa e efeito cartesiana, mas, sim, uma questão de propósito. Tudo que vivemos ter um propósito é algo enorme, que provavelmente não vamos conseguir abarcar em uma vida inteira. E a origem desse propósito é aquilo a quem perguntamos nossos porquês, o espírito.

O que nos desafia constantemente na existência do Propósito é que não conseguimos conceber o seu objetivo, o seu destino final. Nossa vida nesse planeta não é um fim, mas sim um meio.

As coisas que experienciamos aqui são os meios que nosso espírito usa para nos lapidar. Uma pedra preciosa em estado bruto não pode ser colocada em uma jóia em sua forma original; para que ela faça parte da manifestação de uma obra de arte, é essencial que um ourives conceba a jóia, lapide as jóias, derreta e molde os metais nobres. Ocorre um aperfeiçoamento da matéria em seu estado inicial através da vontade do criador da peça, gerando assim uma beleza que não se manifestaria de outra forma.

Por isso, cada experiência nossa é de muito valor, porque foi designada para nos trazer mais próximos da nossa perfeição, da mesma forma que a gema lapidada já existia na pedra bruta, mas precisava ser revelada.

Mais importante, a falta de sentido que é comumente sentida é simplesmente fruto da nossa ignorância. O propósito final das nossas experiências foge da nossa compreensão, mas a função, a utilidade mais imediata das nossas vivências pode ser apreendida, bastando nos exercitarmos em manter nossa atenção na voz da nossa alma.

Seguir essa orientação nos enche de medo, porque sentimos que perdemos o controle. Na verdade, aquilo que acha que tem o controle, que é o nosso ego, controlando a nossa mente, nunca teve esse controle, porque ele sempre esteve nas mãos da alma. Nosso orgulho é que nos leva a considerarmos ter controle racional sobre nossas vidas, e quantas vezes vamos cair do cavalo até nos desfazermos dessa ilusão.

Por outro lado, se pararmos para refletir sobre as nossas experiências passadas, principalmente as mais desagradáveis, vamos, em retrospecto, perceber que sempre houve um aprendizado relacionado, e geralmente aprendemos algo sobre nós mesmos.

O nosso processo de lapidação é o auto-conhecimento.

Quando entendemos isso, todos aqueles porquês que nos movimentavam começam a ser resolvidos, como as peças de um quebra-cabeças. Os fatos ganham significados, e compreendemos que a intenção era nos trazer à consciência facetas desconhecidas de nós mesmos, e geralmente aquelas que nos impediam de nos aperfeiçoarmos. Ou seja, nosso Eu Interior, que pode ser chamado de espírito ou alma, lá do seu ponto de vista, já sabia dessa faceta e organizou eventos em nossas vidas para que essa faceta fosse corrigida, para que ela expressasse o seu melhor.

E como são as pessoas que geralmente têm o poder de nos afetar, são elas que são frequentemente utilizadas para nos trabalhar. Todas as pessoas que nos afetam, tanto positivamente quanto negativamente, foram cuidadosamente colocadas em nossas vidas a partir das nossas realidades menos materiais.

O importante é realmente aceitarmos que nos conhecermos verdadeiramente o nosso mundo interior é a nossa lição da vez, e não temos como matar essa aula, mas que podemos nos dedicar a tirar o máximo de cada experiência, o que nos levará a ter experiências negativas cada vez mais curtas, e aprender cada vez mais através das positivas.

 

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