Uma jovem vestindo-se no estilo dos anos 80: muitas bijuterias de plástico, tudo com cores muito vivas e fosforescentes, com um olhar de "eu estou arrasando!"

Um post fashion

Uma jovem vestindo-se no estilo dos anos 80: muitas bijuterias de plástico, tudo com cores muito vivas e fosforescentes, com um olhar de "eu estou arrasando!"Imaginemos:

Estamos todos lá, onde quer que imaginemos que as almas ficam quando não estão encarnadas. Deve ser algo muito diferente, porque não tem nem corpos nem mente para pensar, mas, ainda assim, é alguma coisa. Como um grupo de alguns bilhões de unidades decidimos todos encarnar, não necessariamente aqui na Terra, se bem que é óbvio que, se você está lendo isso agora, acabou chegando aqui de alguma forma.

Lá, optamos pela tarefa de interagir com planos mais densos de existência, ávidos por adquirir aprendizagens. Uma ótima ideia, mas de qualquer forma, nos deu um baita trabalho, porque não sabíamos muito como fazer, e fomos aprendendo na prática.

E, no meio desse experimento todo, estamos aqui, animando (lembremo-nos que o latim de alma é anima) esses corpos físicos, emocionais e mentais, e lendo textos na intenet.

Estamos formando belíssimas obras, que são esses conjuntos de experiências que desenvolvemos, e que vão se manifestando nos nossos corpos, um pouco como quem vai fazer uma viagem para o exterior e volta usando uma roupa típica.

O nosso problema agora é que, no nosso projeto, tinha uma mochilinha para umas trocas de roupas, e nós fomos fazendo ela crescer e crescer, para ir acumulando tudo que era roupa que encontrávamos, até aquelas chumbregas de camelô com escritos de “fui pra encarnação e tudo o que eu trouxe foi essa camiseta barata”.

Essa malona da qual não nos desgrudamos é o ego, e não só ele nos freia com todo o seu peso, como nos domina completamente até o momento que começamos a querer inverter o jogo. Por exemplo, quantos lugares interessantes e agradáveis não deixamos de visitar na nossa encarnação porque, acoplados à nossa malona, não conseguiríamos passar pela porta?

Mas não nos desanimemos! Porque o que precisamos, para começar, é um dia sentar e fazer uma limpeza daquelas boas, que nos desfazemos de todas as roupas que não usamos, sem dó. Essa imagem é uma que quase qualquer um pode se identificar, porque todo mundo já deve ter feito isso pelo menos uma vez na vida e acabou segurando umas pecinhas que fazia muito tempo que não usava, mas ficou com dó de mandar embora, por alguma razão. E com promessas firmes que no próximo período elas iam sair do armário, mas, puxa vida, chegou a próxima limpeza e elas nem saíram do lugar.

Mas a nossa limpeza é premente, porque o planeta que está surgindo vai ser muito fashion, e quase tudo o que a gente tem na mala é demodê. Façamos agora mesmo uma pesquisa no Google Images para nos lembrarmos de tudo que era super incrível nos anos 80. Esses são os nossos modelitos mais modernos, não vale nem à pena mencionar aqueles do tempo da Escrava Isaura. Ou anteriores.

É, estamos bem fora de moda.

Pois então, agora estamos com malas oversized, e o nosso voo está sendo anunciado no sistema do aeroporto para sair em 3 minutos. Não vamos querer perder a viagem! A atendente da companhia aérea está falando, muito gentil e educadamente, mas sem ser convencida pelos nossos olhinhos de Gato de Botas, nem pelos nossos gritos, chiliques ou o que quer que façamos, a nos permitir a dar um jeitinho e entrar com excesso de bagagem. Para nós parece ser uma malinha muito pequena, e ela está explicando pela enésima vez que, o que a gente precisar, a gente vai poder comprar com o cartão de crédito, as roupas lá são uó, e que não tem problema deixar tudo ali, no saguão mesmo, depois vão chegar os funcionários do aeroporto para fazer a limpeza, sem problema algum.

Podemos ficar com medo de não ter limite suficiente no cartão, mas ela fala que isso é bobagem, porque se a gente não tivesse crédito para gastar no nosso destino, nem teríamos sido convocados para o vôo. E que, aliás, que a gente mal poderia acreditar nos preços de tudo, no lugar onde estamos indo. Uma pechincha, se ela nos contasse, a gente não acreditaria anyway.

No final, a nossa escolha acaba sendo essa, nos agarrarmos ao nosso baú cheio de traças, mas conhecido, e perder o voo, ou deixar tudo ali mesmo, agora, e sair correndo para assumirmos o nosso assento, na maior aventura das nossas vidas.

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