Foto de uma sequoia, que é a espécie de árvores que alcançam as maiores alturas. Uma sequoia é um tipo de pinheiro que pode chegar a mais de 110 metros de altura, e ter 26 metros de diâmetro na sua base.

De árvores e zumbis

Foto de uma sequoia.Vivemos num momento excepcionalmente afortunado do nosso planeta, principalmente para aqueles que procuram se desenvolver como seres, e coligar-se ao seu lado espiritual. Não há muito tempo, talvez 70 ou 80 anos, encontrar fontes de conhecimento espiritual que fossem diferentes daqueles que herdamos dos locais onde nascemos era muito, muito difícil.

Atualmente podemos facilmente encontrar pessoas de outras religiões, nos informarmos sobre suas crenças, seus dogmas, até mesmo observar de que forma elas ajudam as pessoas. Podemos também encontrar conhecimentos espirituais através de livros, e da internet, acessando assim diversos pontos de vistas, ligados ou não a grupos estabelecidos.

Obviamente, as diferentes visões da espiritualidade são resultado dos filtros inevitáveis dos seus receptores, o que não deixa de ser positivo, já que assim elas se tornam mais acessíveis para seus buscadores. Nossos professores são incríveis, e trabalham com perfeição, com o objetivo de nos fornecer os métodos mais didáticos para que compreendamos aquilo que nos eleva da simples existência física.

Assim, entendemos que essas visões interpretam a verdade, mas também traduzem as necessidades de seus destinatários.

Entrando em contato com esses pontos de vista, podemos perceber também um padrão que é menos óbvio, mas que também é fruto do nosso estado comum de consciência: a busca de regras sobre o que fazer, e o que não fazer, muitas vezes também já adiantando as consequências resultantes dessas ações.

Temos muito medo da liberdade. Tanto que quando procuramos aquilo que deveria nos libertar, o distorcemos para que continuemos presos.

Sim, quando somos muito inconscientes, precisamos de uma orientação mais estreita, como uma muda de árvore amarrada numa estaca. Por outro lado, uma árvore que não cresce, desenvolvendo um tronco forte, tem pouca utilidade. Uma vez desenvolvido o tronco, a estaca se torna desnecessária.

Toda a possibilidade de acesso a tanto conhecimento, na verdade, tem um objetivo ulterior, que é transcendermos o conhecimento. Todas as indicações, que muitas vezes são confusas e contraditórias, são apenas orientações, guias de turismo. Não é possível ter a experiência de estar em um determinado lugar somente lendo a respeito dele. Em algum momento temos que tomar a coragem de colocar o pé na estrada e trilhar tudo aquilo que nos separa do local onde estamos e onde almejamos chegar.

Nessa caminhada vamos descobrir que muitas coisas não eram bem do jeito que tínhamos aprendido, e que tem muito mais para ser vivido do que aquilo que foi resumido em algumas páginas, ou em alguns preceitos.

Podemos imaginar que o caos nascerá de um mundo sem regras, mas existe um substituto muito melhor, que é o discernimento.

Zumbis estão muito na moda hoje em dia, e quem lê tanto falarmos sobre desbancar a mente, pode até ter imaginado se estamos querendo zumbificar todas as pessoas. Muito pelo contrário.

Apesar de popularmente zumbis não terem mente, se repararmos bem o que eles não têm é discernimento. Eles simplesmente obedecem tudo que seus mestres ordenam.

E nós, mesmo com nossas mentes perfeitamente desenvolvidas, muitas vezes agimos da mesma forma. Seres e instituições sobre as quais delegamos autoridade nos ditam o que fazer e o que não fazer, e simplesmente executamos esses ditames. No nosso pensamento comum, teremos uma grande recompensa, a felicidade, afinal é o que foi acordado que aconteceria quando todas as regras fossem obedecidas. Se alguém não está feliz, é porque não está zumbificado o suficiente, mas não se preocupe, o mundo dispõe de uma infinidade de maneiras de consertar isso, não precisamos nem citar quais.

Se repararmos no grau geral de bem-estar que encontramos por aí, só podemos concluir que algo nesse acordo certamente não é verdadeiro.

Já experienciamos bastante o que é guiarmo-nos por regras pré-estabelecidas externas, e no fundo, no fundo, sabemos o que está acontecendo. Nosso crescimento acontece de forma independente de nossas vontades externas, e nós, como árvores, estamos começando a ser estrangulados pelas nossas estacas e pelos arames que as fixam em nós. Ou nos livramos deles ou eles vão eventualmente bloquear o fluxo da seiva. A árvore, então, definha e morre.

Fomos plantados em solo adubado, e merecemos extrair dele tudo que se encontra nele, para que realmente cresçamos. A árvore que cresce se enraiza e se desenvolve, se alimenta de luz, dá frutos, resiste a todas as tempestades, abriga vida sob sua copa. Temos, assim, a oportunidade de nos realizarmos, de maneira tão natural quanto uma árvore que estende seus galhos.

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