A atriz Whoopi Goldberg fazendo o papel de Deus no filme Pronta para Amar. Ela é uma mulher negra, com aproximadamente 50 anos, está com os cabelos na altura do ombros, arrumados em muitas trancinhas, está vestindo um vestido branco e tem uma flor branca presa nos cabelos

A experiência da dor

A atriz Whoopi Goldberg fazendo o papel de Deus no filme Pronta para Amar. Ela é uma mulher negra, com aproximadamente 50 anos, está com os cabelos na altura do ombros, arrumados em muitas trancinhas, está vestindo um vestido branco e tem uma flor branca presa nos cabelosAqui nessas páginas já conversamos sobre dor e sofrimento, e sempre conversamos sobre a importância de crescermos como consciência. Sempre queremos ressaltar como esse desenvolvimento consciencial é algo muito inteligente e útil, aliás, tem que ser útil na vida prática.

Na hora em que experienciamos coisas dolorosas é que realmente esse trabalho interno mostra que compensa.

Sabemos que não há como viver sem dor. Como já dissemos, a dor é um sistema de alarme, mostrando que algo está errado e que precisa ser resolvido. A dor é como uma série de sentinelas eficientes, que vigiam todo o nosso escopo de vida, desde o nosso corpo físico até onde todos os nossos efeitos invisíveis alcançam, que se incumbem de chamar nossa atenção quando algo está inadequado. Ela é parte da nossa própria consciência, mas colocada no automático, para que possamos nos ocupar de outras operações.

Como já sabemos também, nada acontece por acaso. Muitos podem querer ver essa ausência de aleatoriedade como um fatalismo, mas na verdade é um presente, porque não somente as coisas não acontecem por acaso, mas também, se nos dispomos a ouvir, podemos ser avisados que algo doloroso vai estar chegando.

Daí poderia vir a pergunta, mas se eu sei que vou passar por algo doloroso, o que adianta ser avisado? Pode ser que em algumas situações, se alguém for avisado, ele consiga evitar o evento doloroso completamente; nesses casos, a pessoa não só é avisada que vai passar por algo doloroso, mas também que há meios para evitar isso. Ou pelo menos reduzir a experiência da dor.

Em outros casos, pode ser que a experiência da dor seja inevitável mesmo, não tem como ser evitada. Alguém talvez precise registrar essa experiência, “na própria pele”, considerando o seu conjunto de experiências nas suas diversas vidas. Não podendo evitar a dor, qual seria então a utilidade de saber que essa dor está chegando?

Esse aviso na verdade é um grande presente, porque nos permite que nos preparemos para isso. Podemos então garantir que não cheguem outros eventos desagradáveis que poderiam ter sido evitados, tivéssemos sido precavidos. Alguém que vai fazer uma cirurgia, por exemplo, pode se cercar de amigos, de familiares, enfim, de pessoas que a amam e com quem pode contar, e receber a ajuda delas, num processo em que todos saem ganhando. O sofrimento da pessoa afetada é reduzida ao mínimo, e as outras pessoas também crescem ajudando ao próximo, ajudando a prover a pessoa com tudo o que ela precisa.

Num outro nível, isso também propicia que o máximo de aprendizado da experiência seja obtido, de forma que essa pessoa não tenha que passar por essa dor de novo por não ter aprendido tudo o que precisava. Muitas vezes, coisas desagradáveis se repentem na nossa vida muitas vezes, e não é porque o Criador está de birra conosco, mas sim porque não apreendemos o propósito que originou isso tudo.

Um filme muito interessante que ilustra isso tudo é “Pronta para Amar” (A little bit of Heaven), com Kate Hudson, Gael Garcia Bernal e Whoopi Goldberg.

O intuito da dor é a transformação de algo que poderia estar melhor, e quando nos conscientizamos disso, passamos a lidar com os fatos de forma diferente. Nos esmeramos para fazer com que essas transformações ocorram antes de a dor ser necessária, e, quando ela é inevitável, ganhamos a possibilidade de tirar o melhor dela.

Isso se aplica também com o planeta como um todo. Sabemos que uma transformação está ocorrendo, e que ela é inevitável. Podemos colaborar, cada um à sua maneira, para que ela ocorra sem dor?

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