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A Importância do “Não”

Sim, foi há pouco mais de uma semana que surgiu uma publicação cheia de orientações sobre como o “não” não existe, e agora aparece uma falando o contrário. Mas não é bem assim, logo vamos ver que não tem qualquer contradição.

Se por um lado, quanto mais interno ficamos, menos o não existe, por outro, nos níveis externos o “não” é essencial.

Para começar, primeiro é bom explicar essa coisa de interno e externo. Essa é uma linguagem utilizada pelos pesquisadores de coisas espirituais, para tentar conduzir a nossa mente a discernir as diversas fontes dos dados que recebe. Quando a alma decide existir também no mundo físico, ela prepara todo um aparato para poder interagir com toda essa matéria, seria como se alguém resolvesse montar uma mega-construção, um prédio daqueles de Dubai, por exemplo, e para fazer isso se enfiasse dentro de um guindaste para colocar cada viga e pilastra no seu devido lugar. Sem o guindaste não haveria como construir o prédio, mas utilizando essa maquinaria, isso se torna razoavelmente simples.

O que ocorre é que a nossa maquinaria ainda precisa de ajustes, para poder responder adequadamente ao controlador. Nós, como consciências, desaprendemos a seguir os comandos do controlador, e estamos tentando montar o edifício sem ter a menor idéia da planta e do projeto. Não é de se surpreender que as coisas não dêem muito certo.

Para fazer esses ajustes, os mestres que vêm aparecendo na Terra desde que o mundo é mundo nos dão indicações que nos ajudam a receber os comandos adequados, que são os que vêm do nosso Eu Superior. Para nós, que direcionamos nossa atenção inicialmente para as coisas que estão por aí (trabalho, escola, romances, novela etc.), e através desse ponto de vista comum todas essas coisas estão do lado de fora, o que acontece é que automaticamente tudo aquilo que o nosso Eu Superior nos comunica é percebido como vindo de dentro.

De forma que essa realidade que é prontamente percebida pelos nossos sentidos é o nível mais externo de todos, e conforme vamos focalizando a nossa atenção, vão aparecendo outras: a realidade do nosso corpo físico, depois a realidade das nossas emoções, a realidade de tudo que aparece na nossa mente como pensamentos, depois a origem de cada um desses pensamentos, até que podemos distinguir que existem origens mais internas e mais externas desses pensamentos, até que percebemos a realidade da alma, que desafia nossas explicações porque explicamos tudo com palavras, e palavras são coisas mentais, e a alma precede a mente, a alma é quem cria a mente, e a mente não consegue definir uma coisa maior que si mesma com exatidão.

Cada nível desse é mais interno que o anterior, e assim dizemos que estamos nos aprofundando. Até mesmo a nossa linguagem comum denota isso, quando algo é fútil ou tolo, dizemos que é superficial, mas quando algo realmente nos impressiona, dizemos que é algo profundo.

Então, como foi dito há algum tempo atrás, o “não” é algo que é ignorado pelos nossos níveis inconscientes, que são mais profundos. Mas quanto mais superficial é a nossa interação, mais importante ele se torna. Aliás, não queremos dizer que os níveis superficiais não são importantes, porque são, apenas que eles não são uma boa fonte de orientação.

O “não” se torna importante nos níveis superficiais porque ele estabelece limites, e nos níveis superficiais as pessoas tendem a invadir os espaços umas das outras, principalmente impondo conceitos e idéias, julgando que sabem o que é melhor para as outras pessoas. Mas isso só acontece quando permitimos, e a forma de filtrar isso tudo é exatamente usando o “não”. Saber quando usar o não vai se tornando muito prático e não exige muita prática. Quando alguém chega falando “sabe, eu acho que você devia…” ou “eu acho que você precisa…” não precisa nem ouvir o resto, já é a hora de jogar um “não” nessa conversa, antes que a nossa mente, que é ávida por informações externas, registre qualquer abóbora que ia sair dessa boca e acabe incorporando as idéias alheias.

Outras pessoas muitas vezes são fonte de idéias úteis e construtivas, mas, nesses casos, se prestarmos atenção, vamos perceber que existe um impulso de dentro da gente que se conecta com aquilo que está acontecendo fora, muitas vezes aquele acontecimento externo só acontece porque a alma arranjou que ele acontecesse. Mas quando essa conexão não existe, e a origem da informação vem totalmente de fora, o “não” é o nosso guardião.

Um comentário para “A Importância do “Não””

  1. Lili

    Muito interessante essa percepção do que é interno e externo, e, tendo reconhecido isso, podemos, mais facilmente, usar o “não” para coisas desnecessárias para nossa alma.
    Mas… e quando nossa alma está totalmente desorganizada, mexida, abalada por algo q mistura o externo e interno, como discernir o momento de dizer um “não”?
    Imagino que esta clareza só é possível quando se tem alma e mente alinhadas, e vivenciar este estado de espírito harmônico é o maior desafio! O resto é consequencia.
    Ou não?

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