Afro Hairdo

A cara da espiritualidade

Quando pensamos em espiritualidade, o que vem à mente?

Provavelmente logo de cara vem uma certa aversão. Pensamos em ajoelhar no milho, dar tudo e viver de vento, ficar horas parado em posição de lótus, rezar longos terços, implorar misericórdia ao divino de joelhos lamentando os infortúnios da vida, vestir uma roupa careta, se enquadrar em padrões rígidos de conduta e abdicar a maior parte dos prazeres que esse mundo pode nos dar.

Essas são imagens que herdamos da nossa sociedade, que foram construídas exatamente para nos afastar do nosso lado espiritual. Felizmente, no meio da nossa alucinação coletiva, pedaços de espiritualidade verdadeira vão se introduzindo e ajudando a mudar nossos conceitos.

Várias músicas e canções fazem esse trabalho. A música, por si só, é algo espiritual, ela tem a capacidade de burlar as nossas defesas mentais e nos tocar profundamente, mexer até com as nossas células, até literalmente (quantas músicas simplesmente não nos deixam ficar parados?). Conseguem transmitir sensações e sentimentos, que despertam algo dentro de nós que até então estava deixado de lado.

Tomemos por exemplo a canção “Put Your Records On”, de Corinne Bailey Rae. Mesmo que não se entenda as palavras, o ritmo e a melodia já bastam para mexer conosco. Poucas pessoas ouvem isso e não ficam pelo menos um pouco mais alegres; provavelmente muitas vão terminar de ouvi-la com um gingado no corpo, se não estiverem já dançando.

E se ouvirmos atentamente a letra, olha só que bela mensagem recebemos! Um relato leve de um momento de auto-realização que a compositora teve, de contato com o seu eu mais interno, quando percebeu que ela podia ser somente ela mesma, e que isso bastava, e que fazendo simplesmente isso tudo se arranjaria e daria certo.

Um ritmo alegre, com uma letra inteligente, algo significante para dizer que faz com que nos sintamos bem e nos deixa bem mesmo depois que acaba.

Assim como essa canção, existem tantas outras, se começarmos a procurar por elas.

Não combina com a cara que geralmente associamos a algo espiritual, não é? Mas essa canção é profundamente espiritual, porque nos toca profundamente, e desperta sentimentos bons em nós, enquanto ao mesmo tempo passa uma mensagem positiva para nosso lado consciente.

O mundo que vivemos nos passa muitos conceitos errôneos, que precisamos reformular. Ser espiritual não é uma coisa restrita a santos, a pessoas extraordinárias que devemos admirar mas que são inalcançáveos e muito melhores que nós. A imposição de nos considerarmos sempre coitados e pequenos espiritualmente, quando nos comparamos a eles. Mas nenhum dos grandes mestres jamais disse isso, muito pelo contrário, sempre nos colocaram no mesmo patamar que eles. A própria comparação, aliás, é uma força involutiva, e nos beneficiaríamos se a utilizássemos ao mínimo.

A espiritualidade já está dentro de nós, sempre esteve, mas sempre a deixamos de lado justamente pelo fato de estarmos ignorantes. Isso pode mudar, no entanto, e com muito menos esforço do que imaginamos a princípio, basta que a acessemos cada vez mais. O poder espiritual que está dentro de nós é algo de uso diário, uma bússola firme que podemos consultar de momento a momento, e está disponível a todos, sem exceção.

A espiritualidade não precisa de qualquer demonstração externa, não precisa de nenhuma condição ou lugar especial aqui no mundo de fora. Precisa, sim, de trabalho para limpar nosso espaço de vivência interior, aquilo que se passa dentro de nós.

Intrinsecamente sabemos que o movimento em direção à espiritualidade nos leva a fazer o bem e a sermos pessoas melhores. O que aprendemos, no entanto, é que para recebermos o bem tínhamos que ser merecedores disso, e que para merecer o bem tínhamos que passar por muitas coisas ruins. Não faz sentido, porque colocar condições vai exatamente contra o que o espírito é: amor incondicional.

Trilhar o caminho do espírito é muito mais se soltar das amarras que criamos para nós mesmos em tempos passados e nos deixar flutuar em direção ao coração do que escalar um paredão íngreme cheio de armadilhas. Como a canção diz, não temos sequer que tentar fazer nada do que nos é imposto de fora, apenas fazer o que realmente queremos. E o que realmente queremos vem lá de dentro, de dentro do coração.

2 comentários para “A cara da espiritualidade”

  1. ana mileo

    Somos livres para fazermos o que quisermos, mas de tudo quanto fizermos prestaremos contas com Deus. Ser livre não é fazer o que se quer, mas se conter. Um dos frutos do Espírito Santo é o domínio próprio. Se o homem viver segundo sua própria”vontade” está muito longe do Criador. Na verdade perdido! Nenhum homem por si mesmo pode encontrar o caminho da verdadeira religião sem conhecer o Filho de Deus através unicamente da Bíblia, que é a Fonte da Única Verdade; Jesus Cristo.

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  2. Fabiana

    Este blog é realmente um ponto de luz! Minha alma se alegra ao entrar aqui e se sente agradecida por poder aprender tantas coisas!

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