adolescente

Quarto de adolescente

D. Julieta tem dois filhos, o João Augusto e o Augusto João. Augusto João tem 16 anos, gosta de rock e não penteia o cabelo faz uns 5 meses. O quarto dele fica no cantinho do corredor, e não estava chamando muita atenção, até que sábado de manhã D. Julieta foi tomar seu desjejum de cream-crackers light e percebeu algo de estranho nelas. Quando parou para prestar atenção, não eram bem suas deliciosas bolachas, nem a geléia com Stevia que estavam estranhas, mas sim um certo odor que vinha de algum lugar incerto. Era o quarto do Augusto.

“Augusto João, de onde vem esse cheiro?”

O rapaz tira a cabeça do travesseiro, “tem cheiro nenhum, mãe…”

Mas o nariz de terrier de Julieta é muito eficaz, e a leva direto para o armário, que revela seus segredos à mais leve abridinha. Uma montanha de roupas sujas, provas sem assinar, trabalhos de escola por fazer e meio sanduíche mordido despencam de dentro do móvel, junto com a grande vilã: uma mortadela esverdeada.

Augusto vai aprender em breve que não adianta esconder as coisas mal feitas, como a mortadela que ele devia ter levado na casa da tia Glorinha e que ele deixou para depois para terminar a saga do Capitão Justiça no Playstation.

O mesmo acontece com o nosso organismo.

O nosso corpo também tem uma consciência e uma inteligência próprias. Ao contrário do que a medicina convencional prega, ele não faz nada de errado. Quando ficamos doente, ele simplesmente está se adaptando a uma realidade que se originou nos níveis mais sutis do sistema ao qual ele pertence, como nossa mente e nosso nível emocional. Mais ainda, além de não respeitar a inteligência do organismo, a medicina convencional vai contra a maneira de operar dele, julgando que entende mais do que está acontecendo do que o próprio organismo.

Quando alguma coisa tem que se manifestar no corpo físico como uma doença, o organismo utiliza primeiro os órgãos que vão causar uma menor repercussão no organismo como um todo. Geralmente quem é afetada em primeiro lugar é a pele ou as mucosas, cuja afecção raramente ameaça a vida, e também resulta numa expulsão daquela doença, através de uma secreção, por exemplo. Podemos notar que, entre os indivíduos considerados saudáveis, a criançada tem muitas doenças de pele, como catapora, ou de mucosas, como sapinho e estomatite.

Se essas condições não bastam para equilibrar o sistema, ou o estímulo nocivo interno persiste (como aquele rancor imperdoável contra a sogra guardado por tantos anos), o organismo é forçado a lançar mão de outros órgãos mais importantes. Assim podemos observar que, de modo grosseiro, na meia-idade as pessoas começam a ter pressão alta (sistema cardio-vascular), depois “ganham” uma doença de tireóide ou diabetes após alguns anos (sistema endocrinológico), e por fim vão ficar velhos com Alzheimer ou ter um “derrame” (sistema nervoso).

Em geral as terapias consideradas holísticas procuram fortalecer as próprias defesas do organismo e resolver a doença na sua causa, que é a realidade íntima do indivíduo. Nossa medicina convencional, ao contrário, sabota essa resposta do organismo, sem resolver a causa sutil. Sem outra opção, o organismo tem que manifestar aquela doença em um órgão mais importante, e quando for medicado com mais alopatia, vai passar para o próximo nível e assim por diante. Note-se, por exemplo, que cada vez mais as crianças estão com alergias e que as doenças crônicas estão surgindo em faixas etárias cada vez mais jovens.

Não se trata de demonizar a alopatia, até porque ela pode ser muito útil, principalmente quando ganha tempo para o indivíduo. Mas temos que ter em mente que ela não resolve o problema em definitivo. O ideal seria um uso muito criterioso de medicamentos alopáticos, associados a um trabalho de auto-conhecimento e uma terapia que confiasse nas capacidades do organismo em gerenciar seus próprios problemas, favorecendo-as e fortalecendo-as. Fazer o contrário é como trancar seus problemas dentro do armário na esperança que eles desapareçam por conta própria.

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